Igreja e Contemporaneidade (Parte I)‏

sexta-feira, abril 12, 2013



Diante da grande efervescência de debates sobre a temática da homossexualidade, união homo-afetiva, direito ao corpo, e etc. me sinto motivado a falar do que a fé católica professa nesses termos. A mídia muitas vezes tem distorcido a opinião da Igreja sobre tais temas. Esta distorção tem feito que muitos crentes tenham colocado sua fé à prova por não compreenderem o que realmente é a fé católica e o que prega o pseudo-catolicismo pregado pelos meios de comunicação.

Antes de tudo é preciso compreendermos que no tempo em que vivemos sofre-se uma expressiva onda de descrença. Não é à toa que o papa emérito, Bento XVI, declarou os anos de 2012-2013 como o ano da fé. E nesta mesma tônica a Renovação Carismática tem vivido neste período sobre a contemplação da afirmação acerca a verdadeira fé em Cristo disposta na primeira carta de São João (Cf. 1Jo 5, 4b). E num tempo de fé descentralizada em muitos aspectos, os que trabalham para o Reino são, muitas vezes, colocados à provação. A fé na Família, na Vida e na expressão dos valores Cristãos têm sido foco do discurso subversivo da descrença.

Diante dessa realidade, me senti motivado a escrever este artigo. Procurei utilizar um tom subjetivo para que o conhecimento disposto aqui seja compreendido como uma percepção pessoal da contemporaneidade. Distanciando, desse modo, de uma disposição “ensaística” cabível em quem estuda de forma mais ampla o assunto. O que trago neste texto é uma manifestação de pensamento, com um embasamento católico, fé que vivencio desde meu batismo. Estou aqui para expressar coisas que podem agradar algumas pessoas, mas também pode desagradar muita gente. Mas como o pensamento é livre, e merece respeito, ouso expressivamente dizer o que eu penso como mero crente na fé católica sobre a IGREJA e a CONTEMPORANEIDADE.



VIVÊNCIA PESSOAL A FÉ CRISTÃ-CATÓLICA E PERCEPÇÕES SOBRE A IGREJA CATÓLICA NOS TEMPOS PÓS-VATICANO II

Sou católico romano, amo minha fé e não tenho nenhuma motivação para deixá-la de lado; pois foi nesta compreensão de certeza divina que eu tive as mais belas experiências espirituais da minha vida. Não posso negar a minha história. Então, mesmo que a Igreja erre, eu prefiro errar com ela, porque de alguma forma esta expressão religiosa é responsável por parcela do que sou hoje como pessoa. Eu acredito que a Igreja possa errar, mas, de algum modo, os “erros” que a Igreja possam ter não abalam minha fé, que antes de qualquer nomenclatura está fundada na pessoa de Jesus Cristo.

Sou totalmente a favor da Igreja que somos hoje pós-Vaticano II. Se não fosse esse concílio a Santa Igreja de Roma estaria muito aquém das expressividades modernas que o mundo vive. Neste tempo, pós-conciliar as mulheres puderam assumir cargos como o ministério extraordinário da eucaristia; ser catequistas; fundar comunidades de vivência fraterna; fundar e administrar pastorais; etc. E não só a mulher, mas qualquer leigo de testemunho cristão autêntico pôde ser reconhecido no que fazia pelo bem da Igreja. Neste mesmo período, o clero passou para uso facultativo as vestes habituais como batina e outras para usar as vestes sociais. Sobre esse passo, vejo com grande zelo que “a pessoa de Cristo” passou a ser como Cristo realmente foi: um líder do povo que se assemelha às ovelhas que pastora no dizer compreensível, sendo Deus na cultura do povo. Poderia eu aqui elencar muitas graças que subjazem às prerrogativas deste concílio. Mas sobre isso basta. [Não sou especialista no assunto, sou um curioso que gosta de opinar].

O passo que a Igreja deu é visto como um tipo de “modernização”. O mundo passou por muitas mudanças. E a Igreja, como uma instituição de homens, deve acolher com satisfação a todo avanço que possa ser favorável ao discipulado, afim da conversão das almas.

A Igreja hoje acompanha as tecnologias, abre diálogo com outras religiões, dentre outros aspectos. Elementos estes que são imprescindíveis no mundo atual que tem como prerrogativa máxima o respeito mútuo. Só com o respeito é que o ser humano pode promover a paz. E a Santa Igreja como instituição emblemática da paz deve estar condizente com tal discurso.

Outras mudanças que os tempos atuais trazem é a liberdade de escolha; seja ideológica, confessional, partidária, etc. Embora ainda existam muitos meios de repressão às essas escolhas; de forma mais significativa, no espaço público hoje, ideias antes “conflituosas”, ganham o mesmo lugar de prestígio. Mas este prestígio, muitas vezes é colocado à desacordo. E com isso a desarmonia é evidente. O católico possui sua identidade. Não devemos nos submeter à desarmonia comprando brigas com o mundo descrente. Num período de livre escolha, as opções devem ser respeitadas, mas nem sempre isso acontece. O espaço igualitário é quase sempre uma ilusão. E a mordaça pode vir de lados antes tidos como “reprimidos”.

Diante da situação em que a nossa fé vive é preciso caminhar à passos firmes. Queremos ser Igreja conforme o Evangelho nos ensina. Pois nossa verdade advém da Bíblia e da Tradição da Igreja, e com esses elementos queremos mostrar ao mundo que somos pessoas convictas do bem Jesus Cristo nos chama a viver. Queremos com nossa proposição de fé quebrar todo tipo de preconceito que possa vir acontecer conosco, pois a nossa fé não tem o compromisso de denegrir, nem mandar ninguém direto para o inferno. Antes de tudo, não somos juízes, mas sim, apóstolos do Espirito Santo, semeadores da confiança em Deus e discípulos da Salvação. E para que a Graça possa existir, na nossa compreensão, acima de qualquer preceito, é preciso respeitar a vida, dom de Deus. Vida que tem selo na Família Cristã e nos meios advindos dela. 

Olavo Barreto.

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